Teia de Aranha










Teci durante a noite a teia astuciosa
Dum poema.

Armei o laço ao sol que há-de nascer.

Rede frágil de versos,

É nela que o meu sono se futura

Eterno e natural,
Embalado na própria sepultura.

Vens ou não vens agora, astro real,

Doirar os fios desta baba impura?


Miguel Torga - Coimbra, 7 de Junho de 1960 - in Diário.




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